232º
O véu ou a verdade
Há um véu intenso de vapor de água no fim do túnel.
A visão que se alastra pelas pernas nuas das escarpas, a tremenda fortaleza do precipício, os braços amenos das grutas e os gritos possantes das aves.
Até onde abarca o olho, a pupila curiosa que se dilata?
Abarca o véu intenso de nuvens, o céu azul pálido e a linha prometedora do horizonte.
Aceita no colo as gotas cheias de terra e o toque dos insectos.
- Não!!!
O grito! A voz rebenta na garganta e o som expande-se na falésia.
Porém, a solidão é certa e profunda, o cume é inalcançável.
Armadura imensa de vapor e pedra...
- Porquê?
Não há aqui lugar para questões do humano, para a razão e tudo o que dela derive.
A rocha cala as esperas, os gritos e os silêncios.
Sobram as aves de rapina, os necrófagos famintos e as vozes naturais que chegam pelas ondas.
O mar canta dócil ao pôr-do-sol e grita os medos nas escarpas pela madrugada.
O sal come os pescadores que se aventuram, devora os tempos apressados das vidas simples.
Não há aqui rancor, apenas vísceras e imundície.
Mas, por detrás do véu intenso de vapor de água, há um tom róseo, um afago maternal.
Para lá das rochas, pelo mar de espuma, há carícias e amores.
As escamas que tornam pétalas, o rosa profundo, imaculado.
Há um véu intenso de vapor de água, um manto virgem...
A plenitude onírica, na verdade.
2 Comments:
Diva!
Que saudades tinha dos teus comentários :)
Considero a Natureza como força suprema. Nunca é demais prestar-lhe reverência.
Um beijinho para ti tb.
Nós somos a natureza, só nos esquecemos muitas vezes da força dela.
Bom fim de semana
Beijinhos
Enviar um comentário
<< Home